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Efe

Nos primeiros jogos na Ásia, Japão mostrou recuperação no pós-guerra

Pela primeira vez os Jogos chegaram ao continente asiático. E o Japão mostrou ao mundo toda sua força de vontade para se erguer depois de uma guerra terrível. Tóquio já tinha sido eleita em 1936 para sediar os Jogos de 1940, mas a capital japonesa renunciou no ano seguinte por causa do início da guerra contra a China.

Em 1959, a cidade foi escolhida com 34 dos 56 votos. Foram investidos US$ 3 bilhões na construção de complexos esportivos, na infra-estrutura e no transporte da cidade com mais de 10 milhões de habitantes. Entre as mais importantes construções estavam o Estádio Olímpico e o Estádio do Judô, projetado na linha dos tradicionais templos japoneses.

Os japoneses mostraram toda sua tecnologia utilizando pela primeira vez computadores. Essa foi a grande novidade dos Jogos, especialmente na Natação, em que anteriormente os tempos eram tomados com cronômetros. A partir de Tóquio, os tempos param quando os nadadores tocam as paredes da piscina no final da prova. Uma mudança significativa, já que recordes passaram a ser quebrados em quase todas as competições.

A África do Sul, por causa de sua política de apartheid, e a China, pelo conflito com Formosa (atual Taiwan), seguiram sem participar. O Comitê Olímpico Internacional também proibiu a participação da Indonésia, porque aquele país não tinha permitido a Israel, nem a Taiwan, competir nos Jogos Asiáticos de 1962, realizados em Jacarta. A Coréia do Norte também se absteve de participar. Durante a cerimônia de abertura, o Iraque se recusou a desfilar ao lado de Israel. Foram os últimos Jogos em que as duas Alemanha apresentaram uma delegação única.

Durante a cerimônia de abertura, os diretores de orquestra comandaram aproximadamente 560 músicos e 350 coristas. Por volta de 12 mil bexigas multicoloridas foram soltas enquanto cinco aviões de caça da aeronáutica japonesa desenharam os anéis olímpicos no céu. Como símbolo do renascimento japonês, o último atleta a carregar a tocha olímpica foi Yoshinori Sakai, de 19 anos, nascido em Hiroshima em 6 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica.

O mastro do Estádio Olímpico, sobre o qual tremulou a bandeira olímpica, media exatamente 15,21 metros, que correspondem ao salto do japonês Mikio Oda nos Jogos de Amsterdã, em 1928. O saltador havia sido o primeiro asiático a ganhar uma medalha de ouro olímpica.

Para facilitar as relações entre os atletas, foram contratados 904 intérpretes. Cada um era capaz de falar uma das quatro línguas mais usadas entre os competidores: inglês, alemão, russo e francês. Os organizadores publicaram um jornal da Vila Olímpica: dez números de cinco mil exemplares cada um foram publicados em três línguas (inglês, francês e japonês).

Graças ao satélite Telstar, lançado ao espaço pelos Estados Unidos, em 1962, alguns países de fora do continente asiático puderam assistir aos Jogos ao vivo. Na Olimpíada de Roma-1960, apenas os europeus viram os Jogos em tempo real.
NÚMEROS GERAIS
Período: 10 a 24 de outubro
Países participantes: 93
Atletas: 5.140 (4.457 homens e 683 mulheres)
Brasil: 35º lugar
Esportes: 21
Medalhas distribuídas: 504
Provas: 163
Abertura dos jogos: Hiroito, imperador do Japão
Juramento olímpico: Takashi Ono (Japão, Ginástica)
Pira acesa por: Yoshinori Sakai (Japão, Atletismo)
Outras cidades candidatas: Bruxelas (Bélgica), Detroit (Estados Unidos) e Viena (Áustria)


NÚMEROS BRASIL
Atletas: 70 (69 homens e 1 mulher)
Esportes: 11 (Atletismo, Basquete, Boxe, Futebol, Hipismo, Judô, Natação, Pólo aquático, Pentatlo moderno, Vela e Vôlei)
Medalhas uma de bronze (Basquete masculino)

Pela primeira vez, o vôlei foi incluído no programa oficial dos Jogos. O esporte coletivo foi também o primeiro a ser disputado por mulheres. Em Tóquio-1964, o torneio de vôlei foi vencido pelos soviéticos no masculino e pelas japonesas no feminino.

Os Estados Unidos, para tentar apagar a imagem negativa após a Segunda Guerra Mundial em relação ao episódio de Hiroshima, contribuíram financeiramente com os japoneses na organização do evento. Com a gana de vencer os Jogos e de não perder para os soviéticos pela terceira vez seguida, os norte-americanos fizeram de tudo. O esforço foi recompensado pelos atletas e os EUA terminaram à frente da União Soviética nas medalhas de ouro (36 a 30).

Brasil
Nos Jogos Olímpicos do Tóquio-1964, o Brasil enviou uma delegação menor do que na Olimpíada anterior, em Roma. Para a Itália foram 82 atletas. No Japão, o número caiu para 70. A distância dificultou a ida de vários atletas em razão da pouca verba disponível.

Disputando 11 modalidades, o Brasil conseguiu conquistar apenas uma medalha de bronze em Tóquio, com o time masculino de Basquete. A seleção brasileira ficou com o bronze pela segunda vez consecutiva e pela terceira na história das Olimpíadas.

A equipe brasileira, treinada por Kanela, era muito parecida com a que disputou Roma-1960. O núcleo era formado por Amaury Passos, Wlamir Marques, Mosquito, Rosa Branca, Jathyr, Edson Bispo e Sucar, além dos novatos Ubiratan, Friedrich Wilhelm Braun, Victor Mirschawka, Sérgio Machado e Edvar Simões. O time fez uma boa campanha na competição, vencida pelos Estados Unidos, com seis vitórias e três derrotas. Na disputa pela medalha de bronze, o Brasil derrotou Porto Rico por 67 a 60.

No Atletismo e na Natação, esportes onde os brasileiros estavam mantendo uma regularidade na conquista de medalhas, dessa vez passaram em branco. Aída dos Santos, no atletismo, foi a única brasileira na Olimpíada de Tóquio. Sem treinador, a atleta destacou-se ao terminar em quarto lugar no salto em altura, com a marca de 1,74 m.

No Vôlei, com a equipe masculina, o Brasil chegou em sétimo lugar. Um dos jogadores era Carlos Arthur Nuzman, atual presidente do Comitê Olímpico Brasileiro.

No Futebol, com um time formado por atletas amadores de clubes cariocas e paulistas, o Brasil foi eliminado na primeira fase. Um dos raros destaques do time treinado por Vicente Feola era o atacante Roberto Miranda, do Botafogo, campeão da Copa do Mundo de 1970 como reserva.

No Hipismo, Nelson Pessoa Filho, o Neco, terminou na quinta colocação. Em Atlanta-1996, seu filho Rodrigo Pessoa conquistou a medalha de bronze no mesmo esporte.


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