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EFE

Os EUA ficaram com o ouro na estréia do futebol feminino em Olimpíadas
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Os Jogos do Centenário das Olimpíadas, em 1996, deveriam ter sido realizados em Atenas, na Grécia. No entanto, acabaram cedidos à cidade norta-americana de Atlanta, no estado da Geórgia, pela pressão exercida pela Coca-Cola. Antiga aliada e patrocinadora do Comitê Olímpico Internacional, a empresa de refrigerantes tem sede naquela cidade.
Em Atlanta, o movimento olímpico deu mais um passo na direção do gigantismo, com a participação de mais de dez mil atletas de 197 países. As criticas também foram muitas: ao chauvinismo do público, ao mercantilismo e à inesperada desorganização tecnológica no país dos gigantes da informática.
Esperava-se muito mais de Atlanta no aspecto da organização. A candidatura norte-americana acabou mostrando múltiplas deficiências. Os problemas se acumularam desde o início. E chegaram a seu ponto culminante com a explosão da madrugada do dia 27 de julho, no Centennial Park, onde morreram duas pessoas e outras 111 ficaram feridas.
A presença de forças de segurança, com mais de 35 mil soldados, não foi suficiente para evitar o atentado. O FBI e as mais altas autoridades norte-americanas tinham garantido que Atlanta seria a cidade mais segura do mundo. O ato terrorista foi condenado por toda a comunidade internacional.
| NÚMEROS GERAIS |
| Período: 19 de julho a 4 de agosto |
| Países participantes: 197 |
| Atletas: 10.318 (6.806 homens e 3.512 mulheres) |
| Brasil: 25º lugar |
| Esportes: 30 |
| Medalhas distribuídas: 842 |
| Provas: 271 |
| Abertura dos jogos: Bill Clinton, presidente dos Estados Unidos |
| Juramento olímpico: Teresa Edwards (Estados Unidos, Basquete) |
| Pira acesa por: Mohamed Ali (Estados Unidos, Boxe) |
| Outras cidades candidatas: Atenas (Grécia), Belgrado (Iugoslávia), Manchester (Inglaterra), Melbourne (Austrália) e Toronto (Canadá) |
| Direitos de TV: US$ 897 milhões |
| Jornalistas: 15.108 (5.695 imprensa escrita, 9.413 de rádio e TV |
| Voluntários: 47.466 |
| NÚMEROS BRASIL |
| Atletas: 225 (159 homens e 66 mulheres) |
| Esportes: 19 (Atletismo, Basquete, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Futebol, Ginástica artística, Handebol, Hipismo, Judô, Levantamento de peso, Natação, Remo, Tênis, Tênis de mesa, Tiro, Vela, Vôlei e Vôlei de praia) |
| Medalhas: três de ouro (Robert Scheidt, na classe Laser, na Vela; Torben Grael e Marcelo Ferreira, na classe Star, na Vela; e Jacqueline Silva e Sandra Pires, no Vôlei de praia), 3 de prata (Mônica e Adriana, no Vôlei de praia; equipe feminina de Basquete; e Gustavo Borges, nos 200 metros livre, na Natação) e 9 de bronze (Henrique Pellicano, na classe tornado, na Vela; equipe feminina de Vôlei; equipe masculina de Futebol; Gustavo Borges, nos 100 metros livre, na Natação; Fernando Scherer, nos 50 metros livre, na Natação; equipe masculina no revezamento 4 x 100 metros livres, no Atletismo; equipe masculina no salto por equipes, no Hipismo; Aurélio Miguel, na categoria meio-pesado, no Judô; e Henrique Guimarães, na categoria meio-leve, no Judô) |
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O presidente norte-americano Bill Clinton prometeu tomar todas as medidas necessárias para proteger os atletas. Umas três horas após a explosão, o Comitê Olímpico Internacional reagiu através de seu vice-presidente, o príncipe Alexandre de Merode, que garantiu a continuidade dos Jogos. No dia seguinte, as competições se realizaram normalmente, após um minuto de silêncio em cada uma das instalações.
Dois anos depois do atentado, a polícia identificou seu autor: Eric Rudolph, de 32 anos, simpatizante das milícias e de movimentos religiosos extremistas de oposição ao governo federal norte-americano. Apesar da ordem de prisão ter sido emitida no dia 14 de outubro de 1998, Rudolph, que também era acusado de outros dois atentados cometidos na região de Atlanta, seguiu em liberdade.
Outros pontos negativos nos Jogos de Atlanta foram o sistema eletrônico criado para informar os resultados de todas as competições em tempo real, o calor intenso na cidade e o grande congestionamento.
Já o lado bom dos Jogos ficou por conta da cerimônia de abertura, quando o ex-boxeador Muhammad Ali acendeu a pira olímpica, superando os problemas de coordenação motora ocasionados pelo mal de Parkinson. Outro destaque foi a participação feminina, com cerca de 30% dos atletas inscritos. Além disso, elas estrearam no salto triplo, no futebol e no softbol.
Brasil
Com sua maior delegação na história das Olimpíadas, o Brasil conseguiu em Atlanta seu melhor desempenho nos Jogos, desde sua estréia em 1920. Com 225 atletas, o Brasil garantiu um total de 15 medalhas, sendo três de ouro, três de prata e nove de bronze.
Na vela, esporte que mais rendeu medalhas, Robert Scheidt, na classe Laser, e Torben Grael e Marcelo Ferreira, na classe Star, conquistaram o ouro para o Brasil. Lars Grael e Kiko Pellicano, na classe Tornado, ficaram com o bronze.
No volêi de praia, as duplas Jacqueline e Sandra Pires e Mônica e Adriana Behar fizeram a final da competição, garantindo o ouro e a prata, respectivamente, para o país. Com a vitória, Jacqueline e Sandra tornaram-se as primeiras brasileiras a ganhar uma medalha de ouro em Olimpíadas. Ainda no vôlei, mas de quadra, a equipe feminina conquistou o bronze ao derrotar a Rússia na disputa pelo terceiro lugar.
No basquete, o time feminino comandado por Paula e Hortência ficou com medalha de prata, quando perdeu a final para as favoritas norte-americanas.
Ainda nos esportes coletivos, o Brasil conquistou mais uma medalha de bronze: no futebol. O time treinado por Zagallo derrotou Portugal na disputa do terceiro lugar. O resultado, porém, acabou sendo frustrante, já que o time era um dos candidatos ao ouro. Com Dida, Bebeto, Ronaldo, Aldair, Rivaldo e Roberto Carlos, o Brasil foi eliminado nas semifinais ao perder para a Nigéria por 4 a 3. Já a seleção feminina terminou bem a competição, na quarta colocação.
O nadador Gustavo Borges ficou com duas medalhas: prata nos 200 m e bronze nos 100 m livre. Com o resultado, Borges (que já havia conquistado a prata em Barcelona-1992), tornou-se o atleta brasileiro com mais medalhas em Olimpíadas. Outro nadador que garantiu uma medalha em Atlanta foi Fernando Scherer: bronze nos 50 m livre.
O atletismo brasileiro voltou a ganhar medalhas depois de passar em branco em Barcelona-1992. A equipe de revezamento 4x100 m surpreendeu e ficou com o bronze. O time era formado por Róbson Caetano, André Domingos, Arnaldo de Oliveira e Édson Luciano.
Outro time que garantiu o bronze foi o do hipismo com Rodrigo Pessoa, Álvaro Affonso de Miranda Neto, André Johannpeter e Luiz Felipe Azevedo. O conjunto garantiu a terceira colocação no salto por equipes.
Já o judô rendeu medalhas ao país pela terceira Olimpíada consecutiva. Aurélio Miguel, na categoria meio-pesado, e Henrique Guimarães, no meio-leve, ficaram com a medalha de bronze.
O handebol brasileiro conseguiu vaga para os Jogos de Atlanta pela desistência de Cuba (por medidas de economia). O Brasil terminou na 11ª colocação entre os 12 participantes, com apenas uma vitória, sobre o Kuait e um empate contra a Argélia.
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