UOL Olimpíadas
BUSCA




RECEBA O BOLETIM
UOL ESPORTE
 
 


Carina Hata/UOL

Um bronze que ainda
vai nos trazer ouro
Aurélio Miguel
Em São Paulo

Nem preciso dizer como estou feliz por mais esta medalha para o judô brasileiro. Vejo o Leandro treinando diariamente aqui no São Paulo desde abril de 2003, e sei que ele é um vencedor. Ele tem histórico de vencedor, e é um judoca fantástico.

Na realidade, a conquista desta medalha começou no pré-olímpico nacional, quando ele derrotou Luis Francisco Camilo, outro excelente atleta. O Leandro é muito focado, muito técnico, e tem uma condição física fabulosa e uma excelente movimentação.

Considero que o Leandro, ao lado do Tiago Camilo, são dois dos atletas mais talentosos da nova geração. Bem trabalhados, são a maior esperança de medalha de ouro em Pequim-2008.

Acredito que o fator positivo para o brasileiro foi o fato de ser pouco conhecido dos estrangeiros, já que não lutou muito no exterior, e por isso conseguiu superar adversários que são mais fortes.

Para mim, o Leandro poderia ter ido mais longe se não tivesse sido prejudicado pela arbitragem na luta contra o francês Daniel Fernandes. A punição dada ao brasileiro, logo no começo do combate foi, além de injusta, decisiva para o destino dele na competição.

A 1ª punição teria que ser para os dois. A partir daí, o francês não quis mais saber de luta, e as punições foram se acumulando, o que acabou com a tática do Leandro. A arbitragem foi tendenciosa tanto na luta do Leandro como na da Daniele Zangrando.

A derrota dela também foi das mais injustas. Foi visível que a última punição tinha que ser aplicada nas duas, o que encerraria a luta, eliminando a italiana. A decisão da arbitragem desconcentrou a brasileira, que acabou perdendo no "golden score."

Me vi na mesma situação que o Leandro e a Daniele em Atlanta-1996, quando perdi para o polonês Pawel Nastula nas semifinais. Naquela ocasião também sofri uma punição que me desconcentrou, e acabei perdendo a luta quando faltavam poucos segundo para o final.

De qualquer forma, fiquei muito feliz ao ver que o Leandro voltou tranqüilo para o tatame nas lutas seguintes, focado na medalha de bronze. Isso mostra a atitude do bom atleta, já que muitos que perdem a chance do ouro não se recuperam a tempo de brigar por outra medalha.

Claro que nunca há mau momento para a medalha, mas esta veio em ótima hora, já que os judocas do país vinham de dois dias de resultados ruins, e como sempre existe a pressão para que o esporte traga medalhas, os atletas poderiam começar a ficar tensos.

Agora, além de se sentirem mais aliviados, os brasileiros com certeza vão estar com a auto-estima mais elevada para os próximos dias de lutas. Não tenho dúvidas de que ainda iremos comemorar outra medalha do judô nestes Jogos Olímpicos.

Coluna publicada em 16/08/2004


Aurélio Miguel
Aurélio Miguel, 40 anos, é ex-judoca e ganhou a medalha de ouro em Seul e a de bronze em Atlanta. É hoje coordenador de judô do São Paulo Futebol Clube

OUTRAS COLUNAS
 
29/08/2004
Rodrigo Bertolloto
28/08/2004
Vicente Toledo Jr.
27/08/2004
William Carvalho
26/08/2004
Daniel Tozzi
25/08/2004
Rodrigo Bertolotto
24/08/2004
Wlamir Marques
23/08/2004
Adriana Samuel
22/08/2004
Georgette Vidor
21/08/2004
Nelson Prudêncio
Rodrigo Bertolotto


Todas as colunas